domingo, 10 de junho de 2012

São Luís "Senhora de 400 anos"





Sacadas da Memória

Nas fachadas caem os pedaços...
De história e memória.
Do passado só o orgulho...
Que lentamente escorre pelos becos!

Das sacadas saltam golfadas verdes...
De umbaubeiras no lugar dos homens...
Delas, também as estrelas...
 Que escapam inversas aos olhos.

O telhado é um recorte de céu, surreal...
Orgulho transformado em dor...
A identidade escorrida nos reflexos do novo...
As lágrimas saltam pelo abandono...

No asilo do descaso, a agonia da morte...
É a certeza que a cidade tem.

                              Miguel Veiga

domingo, 3 de junho de 2012

VÍCIO E PAIXÃO


        



 VÍCIO E PAIXÃO (Miguel Veiga)


Conheci-te em um lugar do mundo,
A beleza morena na noite, um toque profundo!
Recluso na mesa, o vinho era companheiro,
Lembranças... Na camisa, um letreiro!

O encontro, o mistério, o anonimato,
O rumo, um endereço, a família, a viagem!
O Rio, a beleza do riso é fato,
Que encanta, é verdade não miragem!

O hálito com frescor de fruta,
Emoldura o calor da sedução, contra o desejo, a luta!
Em meu ser, a razão duela com a paixão,
Não querer ninguém era minha proteção!

Tua beleza disputava com o Rio,
E eu com ele, a tua atenção!
O egoísmo vencido, o ciúme na mão,
Tu eras a paisagem do coração!

Na festa de aniversário, a cobiça da carne,
No mundo pequeno, o vazio arde!
Foges com a oportunidade, sem dar atenção,
A dor do abandono, a primeira decepção!

A busca pelo porto seguro te traz de volta,
Indefeso no seu orgulho era só revolta!
Abandonado por tuas sombras,
Do amor trazias só ressaca e lombras!

Acolhi-te de orgulho ferido, como qualquer amante faz,
Fui pai, mãe, anjo da guarda e patrão!
Olhando para frente apagando o que ficou pra trás,
Começava ali outra luta a da reconstrução!

Como arqueólogo que busca o fóssil perdido,
Encontrei marcas profundas de um sonho fugido!
Fui atrás das virtudes, não sei se construídas,
Desviadas por aventuras antes vividas!

Sonho que se desfez como sombra na fumaça,
Prazer, vício mentira... Tudo se embaraça!
Marcando o homem, o menino jogador,
Para quem tenta ajudar só desgosto e dor!
  
Hoje a beleza é uma foto de um Rio distante,
No frescor da boca, o medo é a marca restante!
Onde existia esperança da superação,
O arqueólogo encontra só poeira na escavação!

As fantasias mundanas venceram a nudez da verdade,
Na bagagem apenas teu sorriso em momentos de sinceridade!
Parto desolado, sem querer mais ninguém,
A tua verdade te consola, te basta, sem precisar de alguém!

São Luís 07 de Janeiro de 2007.